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Embaixada da Eslovênia homenageia escritor esloveno, Boris Pahor, em evento na Livraria Travessa


Foto: Ana Machado

Em homenagem aos 109 anos de nascimento do escritor esloveno Boris Pahor, a Embaixada da Eslovênia em parceira com a Livraria Travessa, organizaram um debate com a presença do Embaixador da Eslovênia no Brasil, Gorazd Renčelj, da jornalista Paula Bittar, que entrevistou o autor, e do ator Pedro Mazepas, que está trabalhando na adaptação de sua obra para o teatro.

Jornalista Paula Bittar / Foto: Ana Machado

Paula Bittar contou o desejo do autor Boris Pahor em ser esloveno e achou simbólico a Embaixada estar resgatando um pouco da memória do homem que apesar de ter passado por tantas tragédias conseguiu escrever coisas belas, disse a jornalista. Em sua entrevista com o autor, a jornalista destacou um trecho em que perguntou se os sonhos de criança haviam se concretizado e Boris respondeu: "Eu sonhava com a liberdade, era pequeno e nem sabia o que era isso, mas esperava que a ditadura mudasse e acabasse. Sonhava com a liberdade, não queria ser rico ou famoso. Em 1920 queimaram a Casa de Cultura eslovena, um palácio de seis andares. Tinha sete anos e minha irmã quatro. Antes de sonhar tiraram meus sonhos, aquilo foi um trauma psicológico como se tivessem cortado todo o futuro e sem futuro a gente não sonha, é difícil explicar isso".

Embaixador da Eslovênia, Gorazd Rencelj / Foto: Ana Machado

O Embaixador esloveno, Gorazd Renčelj, exaltou o autor de Necrópole lembrando que ele morreu muito amado pela Eslovênia. Segundo Gorazd, sua arte atingiu um alto nível e também uma função muito relevante. Boris presenciou uma época em que a mente humana estava obscurecida e percorreu os caminhos mais difíceis da humanidade. "Conhecer o passado é como uma vacina, se a gente se imuniza não pega gripe", finalizou o embaixador citando uma das frases do autor Boris Pahor na entrevista com a jornalista Paula Bittar.


Ator Pedro Mazepas / Foto: Ana Machado

Para o ator Pedro Mazepas, o holocausto e a 2ª Guerra Mundial são assuntos que sempre o instigou bastante. Pedro conheceu o trabalho de Boris Pahor quando fazia uma pesquisa sobre a história em quadrinhos "Maus: a história de um sobrevivente", no qual o autor Art Spiegelman entrevista seu pai acerca das experiências deste enquanto um sobrevivente do holocausto.

Foto: Ana Machado

Em suas pesquisas, Mazepas se deparou com um artigo da internet que o apresentou a Boris e sua obra e logo Pedro começou a ler Necrópole. "É um relato tão verdadeiro e não pode ser esquecido. Para mim, Boris é um personagem riquíssimo, por ser um sobrevivente que teve forças para depois criar um relato. Um homem dividido pela guerra desde o começo de sua vida quando tomaram sua cidade e o fizeram negar sua língua e nação", lembrou Pedro. O ator comenta que pretende fazer uma adaptação ao teatro e que está correndo atrás dos direitos de uma peça adaptada em 2010 em que Boris pode assistir e ficou muito feliz. "Espero que a gente faça jus a essa memória e que a gente possa não esquecer da mensagem dele, essa mensagem de sobrevivência", finaliza o ator.


Quem foi Boris Pahor:

Boris Pahor, autor esloveno

Boris Pahor (1913 – 2022) foi um escritor esloveno do Trieste e sobrevivente do Holocausto. Sua obra-prima Necrópole traz o testemunho de um "peregrino entre as sombras" no campo de concentração de Natzweiler-Struthof, onde ficou confinado, e as lembranças ao revisitar o local 20 anos depois, onde hoje funciona um museu.


De acordo com a doutora em história Daniele Maia, o relato de Pahor caracteriza-se por uma tentativa de comunicar o incomunicável:


"Ele tentou até o final da sua vida fazer isso. Mesmo desterrado, traumatizado e carregado de todo esse peso, ele reuniu uma força incrível para escrever Necrópole. Eu acho que a obra de Pahor tem um significado imenso, não só para a história em si, como disciplina, mas para qualquer tipo de análise do ser humano. A forma que ele trabalha sua narrativa, espreitando sobre o humano, sobre o amor e sobre o trauma é rara, e por isso tem de ser sempre lembrada."


Ainda em vida, ele recebeu as mais altas condecorações dos governos da Eslovênia, Itália, França e Áustria, e sua obra foi traduzida para diversos idiomas, incluindo o português.

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